Hepatite

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. Existem, ainda, os vírus D e E, esse último mais frequente na África e na Ásia. Milhões de pessoas no Brasil são portadoras dos vírus B ou C e não sabem. Elas correm o risco de as doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causarem danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer. Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam a hepatite.

Nossa Metodologia

TRIAGEM

Triagem é o processo pelo qual se determina a prioridade do tratamento de pacientes com base na gravidade do seu estado.

DIAGNÓSTICO

Atendimento médico, identificação de uma eventual patologia, estudo de dados, sinais, sintomas, histórico clínico e exames.

TRATAMENTO

Conjunto de ações para buscar a curar.

ACOMPANHAMENTO

Observação periódica do paciente ao longo do tempo.

A HISTÓRIA DA HEPATITE

Entende-se por hepatite os quadros que apresentam uma alteração no parênquima hepático, com inflamação e alteração do hepatócito. Este conceito é conhecido desde a época de Hipócrates, mas somente após casos ocorridos na 2° Guerra Mundial começaram a estudar mais cientificamente.

  • FATO 01

    Identificação do vírus da Hepatite B por Dane em 1970.

     

  • FATO 02

    Identificação do vírus da  Hepatite A em 1973 por Feinstone.

  • FATO 03

    Identificação da Hepatite (Delta) D por Rizetto em 1977.

  • FATO 04

    Identificação do vírus da Hepatite E por Krawczyncski em 1989.

  • FATO 05

    Identificação do vírus da Hepatite C por Choo em 1989.

  • FATO 06

    Tratamento da Hepatite C com Interferon Peguilado e Ribavirina a partir de 2001 com 50% de cura.

  • FATO 07

    Tratamento da Hepatite C com os Antivirais de ação direta (DAA) a partir de 2016 com 95% de cura.

Conheça as Hepatites

Hepatite A

A hepatite A é uma doença contagiosa, causada pelo vírus A (VHA) e também conhecida como “hepatite infecciosa”. Sua transmissão é fecal-oral, por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus. Geralmente, não apresenta sintomas. Porém, os mais frequentes são: cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Quando surgem, costumam aparecer de 15 a 50 dias após a infecção. Como as hepatites virais são doenças silenciosas, consulte regularmente um médico e faça o teste. O diagnóstico da doença é realizado por exame de sangue, no qual se procura por anticorpos anti-HAV. Após a confirmação, o profissional de saúde indicará o tratamento mais adequado, de acordo com a saúde do paciente. A doença é totalmente curável quando o portador segue corretamente todas as recomendações médicas. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno. Causa insuficiência hepática aguda grave e pode ser fulminante em menos de 1% dos casos. Previna-se A melhor forma de se evitar a doença é melhorando as condições de higiene e de saneamento básico, como por exemplo:
  • Lavar as mãos após ir ao banheiro, trocar fraldas e antes de comer ou preparar alimentos;
  • Lavar bem, com água tratada, clorada ou fervida, os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por 30 minutos;
  • Cozinhar bem os alimentos antes de consumi-los, principalmente mariscos, frutos do mar e carne de porco;
  • Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;
  • Não tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou próximo de onde haja esgoto a céu aberto;
  • Evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios, para não comprometer o lençol d'água que alimenta o poço. Deve-se respeitar, por medidas de segurança, a distância mínima de 15 metros entre o poço e a fossa do tipo seca e de 45 metros, para os demais focos de contaminação, como chiqueiros, estábulos, valões de esgoto, galerias de infiltração e outros;
  • Caso haja algum doente com hepatite A em casa, utilizar hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária ao lavar o banheiro;
  • No caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas, adotar medidas rigorosas de higiene, tal como a desinfecção de objetos, bancadas e chão utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária.
Para tratar a água, basta ferver ou colocar duas gotas de hipoclorito de sódio em um litro de água, 30 minutos antes de bebê-la, deixando o recipiente tampado para que o hipoclorito possa agir, tornando a água potável para o consumo. Na ausência de hipoclorito de sódio, pode-se preparar uma solução caseira com uma colher das de sopa de água sanitária a 2,5% (sem alvejante), diluída em um litro de água. A vacina de Hepatite A foi introduzida no calendário infantil em 2014, para crianças de 1 a 2 anos de idade. Biologia O VHA é um vírus de RNA pertencente à família dos Picornavírus.

Hepatite B

Causada pelo vírus B (HBV), a hepatite do tipo B é uma doença infecciosa também chamada de soro-homóloga. Como o VHB está presente no sangue, no esperma e no leite materno, a hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível. Entre as causas de transmissão estão:
  • por relações sexuais sem camisinha com uma pessoa infectada,
  • da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação,
  • ao compartilhar material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings,
  • por transfusão de sangue contaminado.
A maioria dos casos de hepatite B não apresenta sintomas. Mas, os mais frequentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Esses sinais costumam aparecer de um a seis meses após a infecção. Como as hepatites virais são doenças silenciosas, consulte regularmente um médico e faça o teste. A hepatite B pode se desenvolver de duas formas, aguda e crônica. A aguda é quando a infecção tem curta duração. Os profissionais de saúde consideram a forma crônica quando a doença dura mais de seis meses. O risco de a doença tornar-se crônica depende da idade na qual ocorre a infecção. As crianças são as mais afetadas. Naquelas com menos de um ano, esse risco chega a 90%; entre 1 e 5 anos, varia entre 20% e 50%. Em adultos, o índice cai para 5% a 10%. O diagnóstico da hepatite B é feito por meio de exame de sangue específico. Após o resultado positivo, o médico indicará o tratamento adequado. Além dos medicamentos (quando necessários), indica-se corte no consumo de bebidas alcoólicas pelo período mínimo de seis meses e remédios para aliviar sintomas como vômito e febre. Previna-se Evitar a doença é muito fácil. Basta tomar as três doses da vacina, usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings. O preservativo está disponível na rede pública de saúde. Caso não saiba onde retirar a camisinha, ligue para o Disque Saúde (136). Além disso, toda mulher grávida precisa fazer o pré-natal e os exames para detectar a hepatites, a aids e a sífilis. Esse cuidado é fundamental para evitar a transmissão de mãe para filho. Em caso positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas, inclusive sobre o tipo de parto e amamentação. Vacina Atualmente, o Sistema Único de Saúde disponibiliza gratuitamente vacina contra a hepatite B em qualquer posto de saúde. A imunização só é efetiva quando se toma as três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose. Biologia O agente causador da doença é um vírus DNA de fita dupla da família Hepadnaviridae.

Hepatite C

A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV), já tendo sido chamada de “hepatite não A não B”. O vírus C, assim como o vírus causador da hepatite B, está presente no sangue. Entre as causas de transmissão estão: . Transfusão de sangue; . Compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, entre outros), higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings; . Da mãe infectada para o filho durante a gravidez (mais rara); . Sexo sem camisinha com uma pessoa infectada (mais rara). A transmissão sexual do HCV entre parceiros heterossexuais é muito pouco frequente, principalmente nos casais monogâmicos. Sendo assim, a hepatite C não é uma Doença Sexualmente Transmissível (DST); porém, entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e na presença da infecção pelo HIV, a via sexual deve ser considerada para a transmissão do HCV. O surgimento de sintomas em pessoas com hepatite C aguda é muito raro. Entretanto, os que mais aparecem são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Por se tratar de uma doença silenciosa, é importante consultar-se com um médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam todas as formas de hepatite. O diagnóstico precoce da hepatite amplia a eficácia do tratamento. Existem centros de assistência do SUS em todos os estados do país que disponibilizam tratamento para a hepatite C. Verifique qual o centro de saúde mais perto de você aqui. Quando a infecção pelo HCV persiste por mais de seis meses, o que é comum em até 80% dos casos, caracteriza-se a evolução para a forma crônica. Cerca de 20% dos infectados cronicamente pelo HCV podem evoluir para cirrose hepática e cerca de 1% a 5% para câncer de fígado. O tratamento da hepatite C depende do tipo do vírus (genótipo) e do comprometimento do fígado (fibrose). Para isso, é necessária a realização de exames específicos, como biópsia hepática nos pacientes sem evidências clínicas de cirrose e exames de biologia molecular. Previna-se Não existe vacina contra a hepatite C, mas evitar a doença é muito fácil. Basta não compartilhar com outras pessoas nada que possa ter entrado em contato com sangue, como seringas, agulhas e objetos cortantes. Entre as vulnerabilidades individuais e sociais, devem ser considerados o uso de álcool e outras drogas e a falta de acesso à informação e aos insumos de prevenção como preservativos, cachimbos, seringas e agulhas descartáveis. Caso você não saiba onde ter acesso aos insumos de prevenção, ligue para o Disque Saúde (136). Além disso, toda mulher grávida precisa fazer no pré-natal os exames para detectar as hepatites B e C, a aids e a sífilis. Esse cuidado é fundamental para evitar a transmissão de mãe para filho. Em caso de resultado positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas, inclusive sobre o tipo de parto e amamentação (fissuras no seio da mãe podem permitir a passagem de sangue). Biologia O vírus da hepatite C é constituído por RNA de fita simples e pertence à família Flaviviridae. Sua detecção se dá por meio de exames de biologia molecular (HCV-RNA) que também são capazes de identificar o seu tipo (genótipo) e quantidade no sangue (carga viral).

Hepatite D

A hepatite D, também chamada de Delta, é causada pelo vírus D (VHD). Mas esse vírus depende da presença do vírus do tipo B para infectar uma pessoa. E sua transmissão, assim como a do vírus B, ocorre: . por relações sexuais sem camisinha com uma pessoa infectada; . da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação; . compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, etc), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings; . por transfusão de sangue infectado. Da mesma forma que as outras hepatites, a do tipo D pode não apresentar sintomas ou sinais discretos da doença. Os mais frequentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Por isso, consulte regularmente um médico e faça o teste. A gravidade da doença depende do momento da infecção pelo vírus D. Pode ocorrer ao mesmo tempo em que a contaminação pelo vírus B ou atacar portadores de hepatite B crônica (quando a infecção persiste por mais de seis meses). Infecção simultânea dos vírus D e B Na maioria das vezes, manifesta-se da mesma forma que hepatite aguda B. Não há tratamento específico e a recomendação médica consiste em repouso e alimentação leve e proibição do consumo de bebidas alcoólicas por um ano. Infecção pelo vírus D em portadores do vírus B Nesses casos, o fígado pode sofrer danos severos, como cirrose ou até mesmo formas fulminantes de hepatite. Pelo caráter grave dessa forma de hepatite, o diagnóstico deve ser feito o mais rápido possível e o tratamento só pode ser indicado por médico especializado. É a principal causa de cirrose hepática em crianças e adultos jovens na região amazônica do Brasil. Previna-se Como a hepatite D depende da presença do vírus B para se reproduzir, as formas de evitá-la são as mesmas do tipo B da doença. As principais medidas de proteção são: vacinação contra a hepatite B, uso da camisinha em todas as relações sexuais, não compartilhar de objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings. O preservativo está disponível na rede pública de saúde. Caso não saiba onde retirar a camisinha, ligue para o Disque Saúde (136). Além disso, toda mulher grávida precisa fazer o pré-natal e os exames para detectar as hepatites, a aids e a sífilis. Esse cuidado é fundamental para evitar a transmissão de mãe para filho. Em caso positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas, inclusive sobre o tipo de parto e amamentação. Biologia O vírus da hepatite D, o VHD, é incompleto e precisa do antígeno de superfície HBsAg para se replicar.

Hepatite E

De ocorrência rara no Brasil e comum na Ásia e África, a hepatite do tipo E é uma doença infecciosa viral causada pelo vírus VHE. Sua transmissão é fecal-oral, por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus. Como as outras variações da doença, quase não apresenta sintomas. Porém, os mais frequentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Esses sinais costumam aparecer de 15 a 60 dias após a infecção. O diagnóstico é realizado por exame de sangue, no qual se procura por anticorpos anti-HEV. Na maioria dos casos, a doença não requer tratamento, sendo proibido o consumo de bebidas alcoólicas, recomendado repouso e dieta pobre em gorduras. A internação só é indicada em pacientes com quadro clínico mais grave, principalmente mulheres grávidas. Previna-se A melhor forma de se evitar a doença é melhorando as condições de higiene e de saneamento básico, como por exemplo:
  • Lavar as mãos após ir ao banheiro, trocar fraldas e antes de comer ou preparar alimentos;
  • Lavar bem, com água tratada, clorada ou fervida, os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por 30 minutos;
  • Cozinhar bem os alimentos antes de consumi-los, principalmente mariscos, frutos do mar e carne de porco;
  • Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;
  • Não tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou próximo de onde haja esgoto a céu aberto;
  • Evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios, para não comprometer o lençol d'água que alimenta o poço. Deve-se respeitar, por medidas de segurança, a distância mínima de 15 metros entre o poço e a fossa do tipo seca e de 45 metros, para os demais focos de contaminação, como chiqueiros, estábulos, valões de esgoto, galerias de infiltração e outros;
  • Caso haja algum doente com hepatite A em casa, utilizar hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária ao lavar o banheiro;
  • No caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas, adotar medidas rigorosas de higiene, tal como a desinfecção de objetos, bancadas e chão utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária.
Para tratar a água, basta ferver ou colocar duas gotas de hipoclorito de sódio em um litro de água, 30 minutos antes de bebê-la, deixando o recipiente tampado para que o hipoclorito possa agir, tornando a água potável para o consumo. Na ausência de hipoclorito de sódio, pode-se preparar uma solução caseira com uma colher das de sopa de água sanitária a 2,5% (sem alvejante), diluída em um litro de água. Biologia O vírus causador da hepatite E, o VHE, é do tipo RNA e pertence à família Caliciviridae.

Câncer de Fígado

O que é? Câncer de fígado e o resultado do crescimento desordenado de células malignas no fígado. O câncer primário (carcinoma hepatocelular ou hepatoma) origina-se de células hepáticas ou das vias biliares. O câncer secundário (metástases) origina-se de células provenientes de qualquer outro órgão ou tecido. Em que idade ocorre? O câncer de fígado pode ocorrer em qualquer idade, porem e mais freqüente em homens a partir da 5a década. Qual a causa? O câncer de fígado tem causa desconhecida, porem e fortemente associado as hepatites crônicas B e C, particularmente nos indivíduos cirróticos. A cirrose independentemente da causa e uma condição pré-neoplasica. Quais os sintomas? Os sintomas são o emagrecimento,fraqueza, icterícia (amarelão), dor ou massa abdominal, ascite (barriga d’água) e eventualmente febre. O câncer inicialmente pode ser assintomático e detectado através de exames de imagem como a ultrassonografia e laboratoriais (alfa-fetoproteína) realizados rotineiramente em pacientes com cirrose.   Como é diagnosticado?   O carcinoma hepatocelular tem aspecto nodular e geralmente e diagnosticado através da combinação de exames de imagem contrastados como a tomografia e a ressonância nuclear magnética do abdome. Em casos de suspeita, pode-se realizar uma biopsia da região suspeita. Como é tratado? O tratamento depende principalmente da extensão do câncer e das condições clinicas do paciente e pode ser realizado por cirurgia (ressecção do tumor ou transplante), injeção percutânea de álcool, radioablação percutânea (radiofreqüência), embolização arterial (quimioembolização e radioembolização) e medicamentos (sorafenibe-Nexavar). Como é prevenido? A vacina para a hepatite B previne a doença e suas complicações como a ocorrência de cirrose e do câncer de fígado. O tratamento de doenças hepáticas como as hepatites crônicas B e C e outras doenças pode prevenir o câncer de fígado. Exames de imagem como a ultrassonografia e laboratoriais como a alfa-fetoproteina auxiliam na detecção precoce do câncer de fígado em pacientes com cirrose.  

Recomendações pós-tratamento da Hepatite C Crônica

  • O tratamento atual da Hepatite C crônica com os antivirais de ação direta tem uma taxa de resposta virológica sustentada (cura) de 95%.  Isso representa uma melhora clinica significativa em todos os pacientes com menor ocorrência de outras morbidades como doenças cardiovasculares e diabetes e, principalmente, menor incidência de cirrose e câncer de fígado.
  • Pacientes que previamente ao tratamento apresentavam comprometimento hepático mínimo como graus de fibrose F0 ou F1, podem receber alta se completarem um ano de seguimento sem o retorno do vírus C.
  • Pacientes com fibrose moderada (F2), avançada (F3) ou cirrose (F4) devem ter consumo mínimo ou se abster de álcool, controlar o peso e tratar adequadamente o diabetes e dislipidemia pois estas são condições que agravam a doença hepática. Tais pacientes devem ser mantidos em acompanhamentos e serem avaliados para a presença de varizes de esôfago por exame de endoscopia e monitorar o surgimento de nódulos que podem sugerir câncer de fígado por ultrassonografia semestral.

Recomendações para Pacientes Cirróticos

 
1. Vacinação
Pacientes com cirrose devem ser avaliados para infecções previas pelos vírus das hepatites A e B. Caso não tenham sido infectados, devem ser vacinados. Hepatite A: vacinas em duas doses (0 e 6 meses). Hepatite B: vacinas em três doses (0, 1 e 6 meses). Gripe: vacina anti-gripal (anualmente). Doença pneumocócica: vacina anti-pneumocócica (intervalos de 5 anos). Tétano-difteria: vacina dupla-adulto (intervalos de10 anos).
 
2. Monitoramento do Carcinoma Hepatocelular
- Pacientes cirróticos devem ser avaliados periodicamente para ocorrência de carcinoma hepatocelular. Nestes pacientes é recomendado a realização de ultrassonografia em intervalos de 6-12 meses e dosagem seriada de alfa-fetoproteina.
 
3. Avaliação para Osteoporose
- Pacientes com cirrose possuem maior risco de desenvolverem osteoporose principalmente aqueles que tem doenças colestáticas crônicas (cirrose biliar primaria, colangite esclerosante primaria) e fazem uso crônico de medicamentos como corticóides, diuréticos e colestiramina. Densitometria inicial e realizada em intervalos de 2-3 anos. Suplementação com cálcio e vitamina D. Tratamento da osteoporose de acordo com o grau de insuficiência hepática.
 
4. Aspectos Nutricionais
- Cirróticos apresentam graus variáveis de desnutrição sendo observada esta ocorrência em 20% dos pacientes com status funcional Child-Pugh A e 60% dos pacientes Child-Pugh C. Desnutrição nestes pacientes aumenta o risco de infecções, sangramento de varizes esofágicas, complicações renais e pulmonares. •Dieta: 35-40 Kcal/ Kg/ dia, 60- 80g/ proteínas. •Vitaminas B1, B2, B6, C, D, E, K, ácido fólico, zinco, selênio. - Evitar consumo de ostras e mariscos. Tais alimentos bem como a água do mar podem estar contaminados com Vibrio vulnificus, microrganismo responsável por quadros de septicemia em cirróticos.
 
5. Abstinência alcoólica
- Além do consumo excessivo de álcool ser responsável pelo desenvolvimento de cirrose, observa-se maior gravidade e evolução para cirrose em pacientes com hepatites crônicas B e C. Pacientes etilistas crônicos com cirrose apresentam maior risco de desenvolverem carcinoma hepatocelular.
 
6. Cessação do Tabagismo
- Tabagismo causa doença pulmonar (enfisema e bronquite crônica) e aumenta o risco de doença cardiovascular e ocorrência de câncer (pulmão, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, rim, bexiga e certos tipos de leucemia). - Pacientes com hepatite crônica C tabagistas apresentam maior risco de ocorrência de cirrose que os não-tabagistas. - Pacientes tabagistas com cirrose apresentam maior risco de desenvolverem carcinoma hepatocelular. - Pacientes cirróticos em programas de transplante hepático devem interromper o tabagismo. - Avaliar uso de reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina.
 
7. Uso de analgésicos e antiinflamatórios
- Acetaminofen em doses de até 2,0 g/dia é considerado seguro. - Aspirina e antiinflamatórios devem ser evitados em cirróticos pois podem aumentar risco de sangramento e insuficiência renal.
 
8. Sinais e Sintomas de Alerta
- Pacientes cirróticos devem procurar atenção médica se apresentarem as seguintes ocorrências: - Temperatura > 38°C - Confusão mental - Vômitos com sangue - Sangramento retal - Vômitos repetidos - Dor abdominal ou torácica - Dificuldade respiratória - Urina com sangue - Desenvolvimento ou agravamento de icterícia - Desenvolvimento ou agravamento de inchaço (edema) em membros ou abdominal (ascite) - Diarréia
 
9. Avaliação para Transplante Hepático 
- A avaliação para transplante de fígado geralmente é realizada por hepatologista e são incluídos pacientes que apresentarem pontuação superior a 15 no escore MELD.
 
10. Medicações em Uso
- Anote e conheça todos os medicamentos (incluindo dosagens) em uso, principalmente se estiver utilizando diuréticos e medicamentos para encefalopatia hepática.